RESTOS MORTAIS DE DOM FRANCISCO DA MATA MOURISCA JÁ REPOUSAM NA SÉ CATEDRAL

Por Jeremias Kaboco

Uíge, 25/03 (Wizi-Kongo) – Foram a enterrar este sábado, na paróquia da Sé Catedral, cidade do Uíge, os restos mortais do bispo emérito da diocese do Uíge, Dom Francisco da Mata Mourisca, falecido no passado dia 16 de Março no Complexo Hospitalar de Doenças Cardio-Pulmonares Cardeal Dom Alexandre do Nascimento na capital angolana/Luanda, onde se encontrava em tratamento.

Celebrou a missa do corpo presente o Presidente da CEAST, Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe Dom José Manuel Imbamba, arcebispo da arquidiocese de Saurimo. O prelado pôs em realce a dedicação total de Dom Francisco da Mata Mourisca ao serviço de Deus e da sociedade angolana, em particular a província do Uíge. E exortou a recordá-lo com afecto, seguros da comunhão real e misteriosa que o une agora ao seu povo. Dom Imbamba fez lembrar que em simultâneo se estava a celebrar a missa do sétimo dia da morte do bispo emérito.

A cerimónia teve início com o cântico de procissão, e de seguida o chanceler da diocese do Uíge Pe. Cazeza, apresentou a biografia do bispo emérito. Realizada no palácio da Justiça, nesta cidade, participou uma grande multidão de fiéis, entidades governamentais, várias individualidade e população em geral que ouviu a homilia pronunciada por Dom Joaquim Nhanganga Tyombe, bispo da diocese do Uíge.

Das figuras governamentais presentes destacam-se o vice-procurador geral da república, Mota Liz, secretário do estado para área hospitalar, Leonardo Europeu Inocêncio, governador da província do Uíge, José Carvalho da Rocha, secretária geral da OMA, Joana Tomás, deputados à Assembleia Nacional entre outras individualidades.

Governador do Uíge ao fazer a leitura da mensagem, o governante expressou profundamente os seus sentimentos de pesar “vamos provarmo-nos a memória daquele que foi o bom pastor, daquele que com amor e humildade e muito trabalho soube conduzir as suas ovelhas, estamos a despedirmo-nos de um pastor que deu a sua vida para o seu povo, e que soube nos momentos mais difíceis abrir a sua casa não só para os fieis católicos mas também para todos os habitantes do Uíge que procuraram a sua protecção, o seu consolo e a sua orientação”

“Despedimo-nos de um pastor que colocou no topo das suas preocupações a formação do homem e provia a família, a cultura e a literatura, soube respeitar a nossa tradição e defender a justiça e a paz” disse o governante.

José Carvalho da Rocha ao terminar a leitura da sua mensagem convidou a todos presentes a honrar a memoria de Dom Francisco da Mata Mourisca segundo os seus feitos e divulga-la para as diferentes gerações vindouras.

Várias mensagens foram lidas entre as quais, Santa Sé, Núncio apostólica, do CICA, grupo parlamentar do MPLA e do partido UNITA, entre outros.

Dom Augusto Domingos, bispo da igreja Anglicana na província que falou em exclusivo ao Wizi Kongo, aquele responsável religioso deixou mensagem de encorajamento para todos aquele que estão em vida, pois o Dom Francisco é um pai ecuménico e deixa-nos mensagem que permaneçamos perseverantes em ecumenismo e transmitirmos o amor de Deus a todo povo, sobretudo das nossas confissões religiosas. Enfatizou o prelado.

Das figuras ainda presentes nas exéquias fúnebre, falou também este portal o antigo ministro de agricultura Pedro Afonso Nkanga, o antigo dirigente, lembra o bispo emérito como um bom pai, um bom pastor, formador, homem de paz e justiça e temos de seguir estes bons exemplos como sempre nos ensinou o Dom Francisco, rebateu Nkanga.

“O meu coração triunfará” foi uma das palavras citadas várias vezes. De nome civil, José Moreira dos Santos, Dom Francisco da Mata Mourisca nasceu a 12 de Outubro de 1928, na então freguesia de Mata Mourisca, de onde lhe vem o nome, diocese de Coimbra, Portugal.

O malogrado foi nomeado bispo da Diocese do Uíge, então Diocese de Carmona e São Salvador, a 14 de Março de 1967, Dom Francisco da Mata Mourisca pertenceu à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos e foi ordenado sacerdote no Porto, a 20 de Janeiro de 1952. Formado em Teologia Dogmática pela Universidade de Salamanca, Espanha, em 1957, Mata Mourisca exerceu em Portugal vários cargos de responsabilidade, entre os quais o de ministro provincial dos capuchinhos.

A Diocese do Uíje foi criada através da Bula “Apostólico Oficio” do Papa Paulo VI, em 14 de Março de 1967, com o título de Diocese de Carmona e São Salvador, tomando a designação de Uíje e S. Salvador em 1979. Posteriormente, em 8 de Dezembro de 1984, com o desmembramento que deu origem à criação da Diocese de Mbanza Congo, ficou com a denominação que tem actualmente.

Dom Francisco da Mata Mourisca, é fundador de várias organizações das quais temos a destacar CARITAS de Angola, Ajuda Mútua, Amizade e Simpatia, fundou a congregação das irmãs mensageiras.

Das obras de construção da seu reinado constam a casa episcopal, a construção do antigo IMNE Cor Marie actual magistério primário “escola de formação de professor”, trouxe pela primeira vem a congregação irmãs filhas de Jesus cuja a sede localizada no município de Negage, entre varias obras literárias como: A religião e a politica, Lar feliz, África renascido, Odissea e a mais recente obra que aguardava a sua publicação com o titulo Santos ou Palermas.

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