É preocupante o elevado etnocentrismo nos Bakongos de Angola

Por Nuno Dala

Desiderativismo etnocentrista

A promoção da tese insustentável de que o antigo Reino do Kôngo era uma democracia, mais do que se supõe, é uma manifestação do etnocentrismo de que padecem muitos angolanos de origem bakongo, que insistem em lógicas e narrativas duma corrente de elevação dos bakongo à categoria de “etnia ímpar”, uma espécie de “gregos da África subsariana”.

Etnocentrismo

Entre muitos angolanos bakongo reside um elevado etnocentrismo que não deixa de ser preocupante. A etnia bakongo é narrada como uma nação superior na sua filosofia, língua, cultura, história, religião, tradições e ética. Promove-se a cosmovisão dos bakongo como uma espécie de universal absoluto de valores e princípios que funciona como fonte iluminadora de todo um mundo.

Kongo 2..

[F/ rmc].

Angolanos bakongo instruídos constituem uma das franjas que mais padecem deste etnocentrismo, de tal sorte que muitos chegam ao extremo de ignorar ou mesmo justificar os aspectos negativos e perniciosos da sua etnia como aceitáveis. Tal irracionalidade certamente advém de uma visão de mundo assente na auto-referência. Um exemplo demonstrativo de tal irracionalidade reside na hilariante estória segundo a qual a rainha de Sabá, sim, aquela que visitou o rei Salomão, era mukongo!

Manifestações do etnocentrismo

O mito, a ficção, a exaltação da língua, da história e dos valores de uma etnia como elementos de supremacia são algumas das diversas formas de etnocentrismo. No caso dos angolanos bakongo que padecem deste problema, afirmar que havia democracia no Reino do Kôngo é demonstração de um orgulho étnico desmedido.

O Reino do Kôngo era uma monarquia. Não era uma democracia. Não há provas de que era um reino democrático. A metodologia questionável, o desiderativismo argumentativo (que se verifica numa linguagem tendenciosa e distorcionista, no uso algo impressionista da semântica Kikongo e num uso forçado de analogia), a ausência de elementos de democracia (verificadas na organização social e divisão de poderes no antigo Kôngo) e o desiderativismo etnocentrista conduzem à conclusão de que é falsa a tese segundo a qual havia democracia no Reino do Kôngo.

 

Via observatoriodaimprensa.net

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